João Lisboa-MA,  
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AS DUAS ROSEANAS

Existem duas Roseanas. Uma é Roseana Macieira Sarney Murad; a outra é apenas Roseana Sarney ou ainda mais simplesmente, Roseana

A primeira é uma senhora de 53 anos, nascida em São Luís-MA em 1º de junho de 1953, que morou no Rio, em São Paulo, na cidade de Genebra, na Suíça, graduou-se em Ciências Sociais pela UnB; em 1973, ainda na Europa, submeteu-se à primeira de mais de uma dezena de cirurgias que lhe fragilizaram a saúde.Casou-se com Jorge Murad, separou-se e casou-se novamente, depois de reatar a relação, com o mesmo Francisco Jorge Murad Junior.
Única filha do ex-governador, ex-deputado, ex-presidente da república Federativa do Brasil e atual senador pelo Amapá, o acadêmico José Sarney e Da. Marly Macieira, seus irmãos são Fernando e Sarney Filho; já é avó de dois netos: Fernanda e Rafael. Como todo brasileiro, Roseana Macieira Sarney Murad, tem RG e CPF. Deputada Federal (1990) e governadora do Maranhão por dois mandatos consecutivos (1994 e 1998) pelo PFL. Candidata ao governo do Maranhão novamente em 2006 perdeu a eleição para o candidato da Frente de Libertação do Maranhão, o Dr. Jackson Kepler Lago, médico e 3 vezes prefeito da capital maranhense, a ilha rebelde, São Luís. E, no momento em que escrevo estas linhas (1/11/2006), recebo a informação pela televisão de que a ainda senadora (tem mais quatro anos de mandato) Roseana Sarney Murad, deixou o PFL para, quem sabe, filiar-se ao PMDB. Enfim, uma história muito parecida com a de muitas outras mulheres deste imenso Brasil, fora os aspectos de exercício de mandatos políticos e não fosse ela a face mais visível e glamurosa do sobrenome Sarney.

A outra Roseana, a Roseana Sarney, ou apenas Roseana existe apenas virtualmente. Ou seja, não tem existência real. É uma construção brilhante do império de comunicação de propriedade da família da outra Roseana, império este que, segundo o senador Sarney declarou à revista Carta Capital (23/11/2005), a franciscana família só possui por que são políticos. “Se não fossemos políticos, não teríamos necessidade de ter meios de comunicação”, confessou candidamente o senador Sarney. E por meios de comunicação entenda-se, conforme declaração do acadêmico autor de Marimbondos de Fogo à mesma revista, “jornal, rádio, televisão”.

A declaração do ex-presidente só confirma o que até os cegos vêm: o complexo de comunicação – jornal, rádio, televisão - está a serviço de um projeto. Que projeto? Citando a professora da UGMA Fátima Gonçalves (Carta Capital – 23/11/2005, p. 38): O clã é dono de um poderoso sistema de comunicação, normalmente usado para corroborar os interesses da família “.Manter-se no poder, dominar o Estado, eis a convergência de todos os interesses da família Sarney.
Para atingir esse alvo, o complexo de comunicação, como disse a professora Fátima Gonçalves na entrevista acima citada, “os adversários são massacrados ou ignorados, a depender do momento”, e acima de tudo, cria factóides, sejam estes “notícias” ou “pessoas”.

A revista Veja (14/11/2001- manchete de capa, ‘O FENÔMENO ROSEANA”), na reportagem “A DAMA DA SUCESSÃO”, seus autores dizem: “Num fenômeno típico do Norte e Nordeste, em que as oligarquias políticas detêm o controle dos meios de comunicação, os Sarney são donos de quatro emissoras de televisão, que transmitem a programação da Rede Globo para todo o Estado, controlam o jornal diário de maior circulação, O Estado do Maranhão, e possuem ainda catorze emissoras de rádio, na capital e no interior. Não passa um dia sem que um desses veículos saia com alguma reportagem positiva sobre o governo do Estado”, exercido à época, lembremo-nos, por Roseana. “Com tanta publicidade, Roseana virou a governadora mais bem avaliada do país, com 88% de aprovação, segundo a última pesquisa disponível. É muita propaganda...”

É verdade que a reportagem diz que sua gestão teve méritos, para logo, explicar a origem desses méritos: uma (suposta) administração dedicada de Roseana (na verdade de Jorge Murad, nomeado pela esposa para ser “o homem forte do governo, uma espécie de supersecretário de Estado com domínio da quase totalidade das verbas públicas” - Veja, 17/04/2002, p. 34) e a dramática situação social do Maranhão (esta, sim, dolorosamente real), em que qualquer melhoria impacta profundamente qualquer índice. Os quarenta anos de domínio da oligarquia Sarney, aí incluídos os oito anos de governo de Roseana, transformaram o Maranhão, segundo a mesma reportagem, num estado com IDH semelhante ao Congo e que, o Maranhão separado do Brasil, seria o mais miserável país da América Latina, à frente apenas do Haiti!

“É muita propaganda”, pontua a reportagem. É só propaganda, dizem os maranhenses que não são ludibriados pela mídia sarneyzista. O suposto “fenômeno Roseana”, objeto da reportagem da revista Veja, prova a reportagem, também não passou de uma construção virtual. Vejamos:

Em 2001, portanto, no ano anterior ao das eleições presidenciais de 2002, a Roseana virtual, côo já observamos, ganhou capa da revista Veja (14/11/2001), com a manchete: “O FENÔMENO ROSEANA”. A reportagem no interior da revista, ‘A DAMA DA SUCESSÃO”, de Alexandre Oltromari, Maurício Lima e Malu Gaspar, informa que Roseana ficou, em pesquisa eleitoral, em 2º lugar entre os 7 candidatos à presidência (Lula,31,8%; Roseana, 19,1%; Ciro, 12,8%; Itamar, 8,2%; Garotinho,7,6%; Serra, 4,8% e Enéas, 2,8%), cravando uma distância considerável do terceiro colocado. Veja informa que “sua ascensão é resultado direto de um trabalho de laboratório” (p.14) levado a efeito pelo PFL que com de seis comerciais e um programa nacional fez Roseana aparecer em “setenta inserções em cadeia nacional e 250 em cadeias regionais, de trinta segundos cada uma” nos três meses anteriores à reportagem em tela. Os autores descrevem: “O que aparece na televisão é uma mulher dinâmica, bonita, simpática, sorridente.” (p.14).

No quadro “E assim se faz um candidato” (p.46), inserido na matéria de Daniela Pinheiro, da mesma edição de Veja, somos informados que aquele trabalho de laboratório, também fez um programa de TV sobre Roseana e que consistiu de pequenos truques de marketing, os quais passam despercebidos de telespectadores que não exercem seu poder de crítica sobre o que assistem na TV. Que truques são estes? Seis truques são identificados. É instrutivo aqui transcrever o que está posto no quadro: “Roseana sempre aparece em movimento, em carros, aviões, trens, para parecer dinâmica. É quase sempre apresentada como ‘Roseana”, sem o sobrenome. Homens falam sobre ela, para que o programa não pareça muito feminista. Sua imagem ao lado de Ulysses Guimarães é mais longa que a do lado do pai, José Sarney, que deixou a Presidência com alto índice de reprovação da população. É mostrada como cosmopolita (‘morou em Brasília, Rio, São Paulo) e não como maranhense. Poupa críticas a FHC. Diz que o próximo governo deve ser apenas de “correção” das faltas do primeiro, como o caso da segurança pública.”

Em outro numero da revista Veja (edição 1.747, ano 35, nº 15, de 17 de abril de 2002), a manchete de capa é humilhante para todos os maranhenses e homens e mulheres de vergonha de qualquer canto deste imenso país: “O ERRO DE ROSEANA E MURAD: ELES PENSARAM QUE O BRASIL ERA O MARANHÃO”. A reportagem de Alexandre Oltromari, Maurício Lima e Policarpo Junior e correspondente à capa no interior da revista tem como título “A CANDIDATA QUE VIROU PÓ” (p. 34-40), trata de como o escândalo Lunus enterrou os melhores sonhos do PFL e da virtual Roseana de esta vir a ocupar o Palácio do Planalto. Qual foi o erro do casal? Produziram oito versões contraditórias para explicar os 1,34 milhão de reais achados pela Policia Federal na sede da Lunus e acharam que o resto do Brasil engoliria tais explicações, como o Maranhão acostumou-se a engolir factóides “made by Sarney”.

Dizem os autores da reportagem (Veja, 17/04/2002), à pg. 40: “Em contato com a vida real, o casal exibiu um comportamento que não cabe mais no Brasil. Aparentemente eles entenderam que bastava um papelucho qualquer, uma declaração vigorosa de alguma autoridade – e a massa de eleitores estaria convencida. Com o domínio absoluto dos meios de comunicação no Maranhão, basta ao clã dos Sarney criar uma versão e divulga-la à exaustão nos limites do Estado para que sua posição fique estabelecida. [...] Habituado a isso, a esse modo de ser, de pensar e de agir, o casal Roseana e Murad julgou que poderia trabalhar no plano nacional nos mesmos moldes em que trabalha no Estado.” Constatação irretorquível! E concluem: “Filhos de uma oligarquia política e eletrônica, eles contaram com esse imenso poder familiar para crescer – e justamente os hábitos de oligarcas, que lidam com a opinião pública como curral, é o que acabou por derrotá-los.”

Não há dúvida: Roseana não existe; à semelhança do ex-presidente Collor, ela é, diz Daniela Pinheiro, um “brilhante caso de construção de um candidato via TV” (Veja, 14 de novembro de 2001, p.40) e acrescento, via jornal e rádio, dentro e fora do Maranhão. O publicitário Nelson Biondi é citado na reportagem de Daniela Pinheiro, manifestando-se a respeito do trabalho de laboratório do PFL que catapultou Roseana aos calcanhares de Lula na corrida presidencial em 2001, disse que o “fenômeno Roseana” era resultado direto da “fórmula: exposição máxima com conteúdo mínimo. E conclui Biondi: “Ou seja, é puro marketing.”

A mídia sarneyzista não só constrói brilhantes factóides, mas, como observou a professora Fátima Gonçalves, massacra os adversários, sem lhes dar a mínima oportunidade de defesa. Exemplo disso é a via dolorosa que o Governador José Reinaldo Tavares tem palmilhado debaixo dos açoites do sistema de comunicação do clã Sarney. Tavares foi vice-governador na chapa de Roseana em seu último mandato de governadora e com a saída desta para disputar uma vaga no Senado Federal, assumiu o governo do Estado por nove meses; disputou o governo para o termo seguinte e foi eleito governador, mandato que termina agora em 2006.Tavares rompeu com o grupo Sarney cerca de dois anos de iniciado seu mandato como governador.

O cambaleante político Epitácio Cafeteira, hoje senador eleito pelo Maranhão e “cristão novo” de novo nas hostes sarneyzistas, foi vítima dessa malignidade. Em campanha para o governo do Estado contra Roseana, cuja virtualidade Cafeteira conhece muito bem e denunciou dos palanques, foi acusado de “fazer desaparecer” um suposto desafeto seu. Perdeu a eleição, porque apesar de ter conseguido encontrar bem vivo “o morto”, era tarde demais. Cafeteira está hoje lambendo as botas de Sarney e tecendo loas à virtual Roseana a quem ele desmistificou nos palanques.

O governo de Tavares enquanto esteve dentro do grupo sarneyzista jamais mereceu qualquer notícia desabonadora nos meios de comunicação dominados pelo grupo; vivíamos, na tela, nas páginas e nas ondas do sistema de comunicação de Sarney, numa verdadeira Suíça. O que acontecia de ruim era por culpa dos adversários, por exemplo, do petulante prefeito da distante Imperatriz chamado Jomar Fernandes... Rompido com o grupo, o Governador José Reinaldo Tavares transformou-se numa praga a merecer castigo diário da TV, do jornal e do rádio da família de Roseana. Pergunta-se: como pode um governante mudar tanto e para pior, e isto da noite para o dia? “Incompetente” brama ainda hoje o “sistema”, referindo-se a Tavares. E, pasmem!, na propaganda da campanha eleitoral recém-terminada da virtual Roseana e nas diversas “entrevistas” de figurinhas carimbadas do grupo, escaladas pela TV Mirante para falar mal de Tavares e Jackson Lago e entoar loas à Roseana, pontificava-se à exaustão que “nunca o Maranhão estivera tão mal quanto nestes quatro anos e nove meses do atual governo” Onde estava o “sistema” que só descobriu o “caos” do Maranhão depois que o Governador Tavares sacudiu fora a cangalha que carregara toda sua vida até então? Nada que Tavares realizou e está realizando merece sequer uma linha do “sistema”.

Jackson Lago também sofreu nessa campanha. Lembremo-nos das acusações contra o governador eleito (graças a Deus e ao voto de 1.295.745 maranhenses)? Começava assim: “Deu no jornal...” Que jornal? Ora, ora, o jornal da famiglia. E em cima da “notícia” era feito um verdadeiro carnaval. A TV citava o jornal e as rádios citavam o jornal e a TV! Vale a pena repetir aqui o que se escreveu acima, citando a Veja (17/04/2002): “Com o domínio absoluto dos meios de comunicação no Maranhão, basta ao clã dos Sarney criar uma versão e divulga-la à exaustão nos limites do Estado para que sua posição fique estabelecida.”
“ Puro marketing” é a explicação para a maioria dos votos que Roseana tem recebido ao longo de sua carreira política, visto que os demais votos que são daqueles que sabem dos truques da propaganda e deles se beneficiam como os Cafeteira da vida.

É preciso um trabalho extraordinário de conscientização do nosso povo para que jamais Roseana, a virtual, ou qualquer outro personagem holográfico construído pelo sistema de (des)comunicação Sarney ou outro, volte a deleitar nossos olhos e a anular nossos cérebros.
Por um Maranhão Livre! (Por
Silas Waldemir Souza Chaves - Imperatriz-MA

 

 
 
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